A Noite Não Termina


Mais da metade da população brasileira é formada de não brancos e, em relação ao gênero, pela maioria de mulheres. Elas também se distinguem pela maior escolaridade. As projeções acentuam essas tendências. Portanto o futuro trará incontestáveis mudanças. O pensamento colonizador e o comando masculino vão sofrer abalos. O Brasil será mais moreno no semblante e mais feminino no gerenciamento. Entender esse movimento passa por conhecer a origem das riquezas e dos aglomerados humanos, pobres e violentos, das periferias.

A Noite Não Termina analisa e projeta a nação no livre embalo da literatura. O Brasil – ensaio de uma combinação étnica – ancora-se numa história coberta de heroísmos, rebeliões, saques, trabalho e vidas ceifadas.

O romance foi a forma escolhida para abordar a relação entre os fatos citados e as vivências de mulheres e homens. Desde a Revolta Farroupilha até os dias de hoje – marcados pela inquietude generalizada – os personagens encarnam pessoas comuns, porém com voz e espontaneidade.

A sensibilidade do antropólogo baiano Cássio Duarte da Costa é aguçada por um Brasil tingido pelo machismo e pela discriminação étnica, social e política. Indignado com as injustiças e desigualdades, ele tenta desvendar o seu passado e influir nos movimentos sociais.

A busca o leva aos primórdios da exploração dos povos nativos e aos matizes da escravidão. Assim, Cássio descobre a biografia de Eusébio, um escravo usado como reprodutor, que palmilha o Rio Grande do Sul de ponta a ponta, no crepúsculo da Revolta Farrapa, e se converte num revolucionário. O africano incumbe-se de vingar as torturas e desumanidades impostas aos indígenas e aos negros. Inspirado nessa figura ancestral o antropólogo se joga num projeto audacioso, apoiado pela bravura, ousadia e generosidade de mulheres insubmissas.


Autor: Luiz Carlos Torres Araújo

Disponível no site Buqui!







A obra pontua cenas épicas e regionais com narrativa ora crua, ora sensual. É um romance histórico que não revela heróis ou personagens livres de contradições, mas destila conflitos encravados na abundância dos afortunados ou no desespero e na inconformidade de quem luta para sobreviver.

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