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Crônicas de Botequim

09.10.2018

Aos oito dias do mês de Outubro do ano de 2018, foi publicada a nona edição da série "Santa Sede - Crônicas de Botequim", mais uma conquista linda e envolvente do grupo de cronistas.

 

Sinopse: "A crônica é o gênero literário dos copos, dos bares, das ruas. Urbano até o último gole, este livro traz para a Santa Sede o tema "a cidade" explorando em cada capítulo um pouco de suas nuances. Afinal, nenhuma outra oficina literária é tão contaminada pelas ruas, pelos bares e pelos copos. Fica nosso convite aos leitores - tal qual faziam os cronistas do século 19, flanem conosco, página por página". 

 

Link do site para compra: 

https://www.editorabuqui.com.br/product-page/santa-sede-9-cr%C3%B4nicas-de-botequim

 

Começou com uma ideia simples, a ideia de fazer uma oficina de crônicas, ministrada por Rubem Penz. A paixão dos escritores novos e desconhecidos fez a oficina crescer, e ficar tão cheia de sentimentos e conteúdo, que nove livros foram lançados!

 

Os autores, fiéis e esforçados, deixam suas mensagens ao longo do livro.

 

Zorday Prati:

 

Sou um andarilho na vida – por favor, não confundir com levar uma
vida de andarilho / Meu bairro é este mundão / Quero ser feliz, distribuindo
gentileza, generosidade, carinho e gratidão / Com isso, sonho
receber um tantinho de volta / Um tantinho de amor já está bom/ Sou
um procurador esperançado / Um achador distraído / Dependo da sorte
mais do que a conta e ela – a sorte, generosa demais – de mim toma
conta / Agora sou tam
bém um cronista amador / Um cronista calouro
que faz da arte de juntar palavras e de contar histórias a fonte do mais
puro prazer / Além, naturalmente, de ser um caminho fértil para traçar
estradas onde jamais andarilharei / Aprecie-me, por favor, sem moderação
e, se não for pedir demais, bem devagarinho ou – paradoxo! – com
sofreguidão.

 

Luca Boaz


Não gosto de escrever. Eu amo brincar com as palavras. Ao juntar
duas, três, vinte e dar sentido a elas, voilá, é realização. De repente
ali traduzo um sentimento, retrato um momento, confirmo uma percepção.
Tudo faz sentido. Tudo é sentido. Com as palavras, me exponho.
Espio com o canto mais escondido da alma. Bonitas, acolhedoras, positivas,
instigantes são as palavras agrupadas. Apareço na vitrine e de lá
desapareço. Dou sentimento, desfaço a percepção. Com as palavras, essa
sou eu, uma não-escritora.

 

Tom Saldanha


Quando nasci, um anjo ofereceu-me a noite. Talvez tenha sido o mesmo
anjo torto de Drummond que, arrependido de ter-lhe indicado o caminho
canhestro, usou o imperativo categórico para entregar-me o que
guardava pra si mesmo. Ou pode ser que minha mãe tenha optado por
dar-me à noite ao invés de dar-me à luz. Segui plantando fraternidades
no escuro. Regadas com a alquimia do soro feito de lágrimas e doçuras,
elas brotaram e permitiram a colheita de afetos infi nitos. A noite também
me trouxe até aqui, entre amigos que logo amei. E, logo, nunca hei
de esquecer.

 

Astúria Vasconcelos


Exemplo da família, na infância incomodei nada; saía, uniformizada,
apenas para a escola. Segui a juventude sem alardes, na rotina de trabalho
e faculdade. Nem quando noiva – ou casada – fi z barulho. Sequer
gemi. Renascida, providenciei triciclo no apartamento, futebol no corredor,
rede na sala e balanço no teto do quarto. Radinho no banheiro,
violão e bongô no ateliê, com amigos. Racionais e Kraftwerk em dia de
faxina. Carro, barco e ronco de moto com o novo amor, para satisfação
dos vizinhos. Bandeiras coloridas nas janelas, calor, histórias e palavras
no coração.

 

João Willy


O movimento de veículos nas avenidas da cidade leva e traz minhas
lembranças. No frenesi constante das rodas retornam sentimentos
contraditórios. Amor e ódio. Euforia e melancolia. Solidão e convívio.
Junto com transeuntes indiferentes, desfi lo meu andar resignado. Sou
parte desta cidade. Seu fi lho. Gentilmente adotado. Rebento arrebatado
pela sua magia. Inconformado com suas mazelas. Metrópole que não
para nunca. Nem para olhar este habitante. Carente de atenção e reconhecimento
da sua genitora: a alma urbana. Nesta vida, sou passageiro
em trânsito.

 

Graciella Tomé


Vivida e idealizada; sonhada e um tanto submetida a meus desejos.
Bordas que se confundem a meus insistentes sorrisos largos, de
olhinhos fechados. Assim sou eu. Acreditando. Quando pequena queria
ser médica do coração, hoje sou coração. Transformando. Mostro
quem nós somos por meio das minhas paixões. A cada escrita é como
se, pela primeira vez, eu estivesse libertando uma faceta de mim própria.
Criando. Pertenço agora a este novo mundo do livre exercício da
expressão. Inspirada, viajo de mãos dadas, na alma da minha cidade ideal.
Como herança, tua envergadura, pois me possibilitaste passear sem
medo de perder teu nome.

 

Jane Maria Ulbrich


À semelhança de uma praça numa grande cidade, mudo constantemente
no transcorrer dos dias, das estações. Aberta, pronta para
novidades, em busca de acolhimento, calorosa e fervilhante, por vezes
enfrento períodos solitários, recolhida a doces ou amargas lembranças.
Com a experiência de vida, complexa e versátil, surge o desejo de relatar
observações cotidianas sensoriais, bem como criar histórias possíveis
em alguma antiga ou moderna comunidade.

 

 

Thomas Einar Olsen


Era uma noite fria, daquelas em que podemos ouvir a geada partindo-
se sob os nossos pés nos campos da Serra – contava a minha
mãe sobre o momento em que nasci. Na antiga vitrola a Cavalleria Rusticana;
no céu, um destino entre as estrelas. Dizem por aí que há infinitos
universos paralelos. Talvez seja verdade, não sei, mas se assim o for,
em todos eles estou ouvindo Ed Sheeran, enquanto as ruas do Menino
Deus dilatam-se, distorcem-se no espaço-tempo, música e poesia, até
que uma energia doce e sutilíssima a tudo envolva e nos transforme num
infinito só.

 

Soraia Schmidt


Olhar e sentir. Desde pequena gostava de gastar o tempo assim a
observar o mundo. Hoje me defi niria como água, rendendo-me
ao signo de peixes. Sou fl uida, sem forma defi nida. Curso num movimento
plácido, que parece estar parado, mas não está. Às vezes volatizo
e evaporo borrando contornos, moldando-me à tênues bermas e trago
em mim um lavado do mundo. Sentir o mundo e dar forma através do
desenho das letras. Concretizar o sentimento em traçados, mapeando-o
com palavras. Um mapa de traçados dos sentires. Um mapa da cidade
através do desenho dos olhares e percepções. Este é mais um contorno
do meu mapa água. E, borda na borda deste, encontrei outros na Cidade
Baixa, pois lá, juntam-se muitas águas.

 

Todos tem um jeito de se expressar conforme a época em que vivemos: a mais pura e verdadeira forma de escrever crônicas sobre o tumulto silencioso que presenciamos hoje é visto no livro "Crônicas de Botequim".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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